Home EsportesConferência de Bonn tem avanços limitados e impasses para COP31

Conferência de Bonn tem avanços limitados e impasses para COP31

As negociações realizadas na Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas (SB64), na Alemanha, terminaram nesta quinta-feira (18) com impasses e avanços limitados.

A avaliação de instituições envolvidas no debate é de que temas centrais da agenda internacional permanecem sem solução e deverão voltar ao núcleo dos debates na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), marcada para novembro, na Turquia.

Em enviado divulgado depois o fechamento da SB64, o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas (UNFCCC), Simon Stiell, disse que as reuniões reforçaram a valor da cooperação internacional e da implementação dos compromissos assumidos no Entendimento de Paris.

Segundo ele, os trabalhos técnicos realizados em Bonn criaram bases para que os países avancem nas negociações da próxima conferência do clima.

Para organizações da sociedade social, porém, o balanço foi mais precatado ou crítico. O Observatório do Clima (OC) classificou o resultado uma vez que decepcionante e avaliou que a conferência foi marcada por incertezas políticas e dificuldades para progredir em temas fundamentais.

“Bonn naufragou. Os próprios negociadores, à noite, pareciam incrédulos diante da extensão da falta de consenso entre eles mesmos em itens de agenda tão diversos quanto a meta global de adaptação, o programa de trabalho de mitigação e as sinergias entre as convenções do Rio”, diz o texto do observatório.

A organização destacou que houve resistências dos negociadores inclusive para preservar compromissos previamente acordados e para protelar a publicação de documentos importantes sobre a crise climática. 

“Um desdobramento particularmente surreal foi a investida de alguns países em desenvolvimento contra a instauração do regime climatológico, a ciência. Puxados por China e Índia, membros do G77, o conjunto das nações do Sul Global, vêm trabalhando para protelar a publicação do AR7, o próximo relatório do IPCC (o quadro do clima da ONU)”, diz outro trecho do OC.

Implementação

Na mesma risco, a LACLIMA afirmou que os últimos dias da SB64 foram marcados por bloqueios sistêmicos e decisões adiadas. Segundo a organização, negociações sobre financiamento climatológico, cultivação, mitigação, adaptação e sinergias entre as Convenções do Rio ficaram sem consenso ou foram transferidas para a COP31.

A exegeta de políticas climáticas Marina Guião destacou os impasses em torno do financiamento público internacional.

“Houve um impasse se o tema terá um item de agenda e uma decisão na COP31 ou se seguirá unicamente uma vez que um diálogo. Para preservar o procuração de Belém, o presidente da COP30 enviou uma missiva ao secretário-executivo da UNFCCC reiterando a premência desse espaço estruturado”, disse.

A Climate Action Network (CAN) avaliou que um dos principais pontos de preocupação foi o impasse nas negociações sobre adaptação. Segundo a rede, embora tenha havido avanços na agenda de transição justa, divergências sobre financiamento impediram consensos na Meta Global de Adaptação, adiando decisões relevantes.

Em enviado divulgado ao termo da conferência, a organização afirmou que o bloqueio nas negociações sobre adaptação evidencia a premência de ampliar o pedestal financeiro aos países em desenvolvimento e de apressar a implementação dos compromissos já assumidos.

Visão mais positiva

A World Wildlife Fund (WWF) adotou uma avaliação mais positiva sobre o encontro e considerou que Bonn consolidou uma mudança gradual do foco das negociações, passando das promessas para a implementação.

O líder de mudanças climáticas da instituição, Alexandre Prado, atribuiu valor ao papel exercido pela presidência brasileira da COP30.

“Sua coragem de trazer temas urgentes para a conversa climática definiu o cenário para o que vimos em Bonn. O sucesso – ou não – dessas iniciativas talvez só fique evidente no próximo Balanço Global. Mas elas nos colocaram falando sobre implementação real todos os dias, em todas as reuniões em Bonn, e isso já é significativo”, afirmou.

Na avaliação da líder de estratégia internacional do WWF-Brasil, Tatiana Oliveira, a participação ampla dos países reforçou o compromisso com o multilateralismo, mas é preciso ir além.

“Agora, o duelo é transformar esse engajamento político em resultados concretos, mormente quando falamos de financiamento climatológico, que continua sendo uma agenda sem entregas concretas, embora seja um elemento mediano para viabilizar a implementação das ações de mitigação e adaptação nos países e comunidades que mais precisam”, disse.

Fonte: Ebc

You may also like

Leave a Comment