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China cria mecanismos financeiros na África para não depender de dólar


A China vem ampliando a infraestrutura financeira na África para não depender do dólar, o que permite comercializar bens e serviços por meio das moedas africanas e da chinesa, o yuan. 

Apesar das mudanças, o uso yuan (ou renminbi) ainda é minoritário no continente e a chamada desdolarização segue fora do horizonte, mesmo para as autoridades de Pequim.

No término de junho, o Banco Médio da China autorizou o pagamento com yuan diretamente no banco Standard Bank, maior grupo bancário do continente com sede na África do Sul, em uma parceria com o Banco Industrial e Mercantil da China (ICBC).

“[A parceria] nos coloca em uma posição única para mourejar com renminbi chinês (RMB), permitindo que as empresas façam e recebam pagamentos em RMB para liquidações comerciais, viabilizando o negócio entre a África e a China”, diz enviado do Standard Bank, presente em 21 países africanos.

Atualmente, a China é a principal parceira mercantil da África. Entre 2000 e 2024, o prolongamento médio do negócio entre o continente e a China foi de 14%, ao ano, segundo a Gestão Universal de Alfândegas (GAC) da China. 

Em 1º de maio, a China decidiu isentar taxas de importações de produtos africanos, o que deve substanciar o negócio entre o gigante asiático e a África.

Yuan ainda é minoritário

O comentador geopolítico Marco Fernandes, do Juízo Popular do Brics, disse que o progressão do yuan na África ainda é tímido, mas destacou que a China vem construindo uma infraestrutura capaz de comercializar no continente sem precisar usar o dólar.

“Isso é um prelúdios. A China tem feito uma série de iniciativas, uma vez que essas, no mundo inteiro para poder comercializar sem o dólar. Mas o montante negociado em yuan é ainda irrelevante considerando o tamanho da economia global. É uma vez que se eles estivessem construindo os trilhos para o trem projéctil chinês passar no horizonte”, comentou.

O comentador do portal Brasil de Roupa acrescentou que as commodities de virilidade e vitualhas, em sua maioria, ainda são negociadas em dólares no mundo todo.

“O yuan é hoje a quinta moeda de negócio mundial com muro de 8,5% das transações globais, ou seja, muito pouco ainda. Mas está crescendo se você confrontar com três, cinco ou dez anos detrás”, disse Marco Fernandes.

A predominância do dólar

Uma das agendas do Brics, grupos de países do Sul Global que inclui Brasil, China, Índia, África do Sul, entre outros, tem sido a “desdolarização” da economia mundial uma vez que o uso do dólar uma vez que moeda do mercado internacional concede vantagens econômicas e políticas aos Estados Unidos (EUA). 

A agenda de “desdolarização” da economia mundial é, por sua vez, atacada pelo presidente Donald Trump, que promete lutar para manter a predominância da moeda dos EUA no mundo. 

China hesita em impulsionar yuan

O também editor da revista Wenhua Zongheng International, Marco Fernandes, destaca, por outro lado, que a China não tem interesse em uma desdolarização imediata, entre outros motivos, por ter muitas reservas ainda em dólar. Ou por outra, Pequim tenta manter o valor da sua moeda para preservar a competitividade das exportações chinesas.

Outro problema é que a China evita terebrar sua conta de capitais, medida apontada uma vez que necessária para internacionalização do yuan, a término de não expor o sistema financeiro chinês às turbulências da especulação global. A conta de capitais representa a movimentação de recursos que entram e saem do país.

“Uma rápida desvalorização do dólar significaria um prejuízo muito grande, tanto para o Estado chinês, quanto para as empresas chinesas. É preciso que esse processo de desdolarização seja lento, gradual e seguro”, afirmou Marco Fernandes.

Escolha ao dólar

O economista brasílio Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do banco do Brics, publicou, em junho deste ano, cláusula com proposta para uma novidade moeda de suplente para o negócio internacional.

Nogueira reconhece que a rede de pagamentos do Banco Popular da China (PBOC), que envolve mais de 40 bancos centrais, amplia o papel da moeda chinesa nas operações de liquidação do negócio internacional.

Porém, o profissional destaca que a substituição do dólar pelo yuan ainda não interessa à economia chinesa e propõe, no lugar, a geração de uma moeda própria para o negócio global formada por uma “cesta” de moedas dos países do Sul Global.

“A geração de uma novidade unidade de conta por um grupo de países do Brics (não necessariamente todos) e outras nações do Sul Global. Em determinado momento, a unidade de conta seria convertida em uma novidade moeda, preservando os mesmos pesos”, escreveu Paulo Nogueira no Valdai Discussion Club, meio de estudos sediado em Moscou.

Para o comentador geopolítico Marco Fernandes, a desdolarização da economia é importante para trazer mais justiça para economia mundial, além de servir para reduzir o poder político e econômico dos EUA que, por meio de sanções e embargos financeiros, conseguem sujeitar outras nações aos interesses de Washington.

“Por culpa da predominância do dólar, toda vez que o Banco Médio dos EUA sobe os juros, há uma desvalorização das moedas dos países pobres. Isso significa que as importações ficam mais caras. Trigo, arroz, milho e outros vitualhas ficam mais caros. Uma pequena variação pode valer a míngua, ou mesmo a morte, de milhares de pessoas”, concluiu.




Fonte: EBC

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