É verdade que o pretérito recente dos encontros entre Boca Juniors e o futebol brasílico tem sido mais positivo para o lado de cá. O que não significa que a glória do tradicional clube prateado nesse tipo de confronto deva ser desprezada. O Vasco entrou para a estatística ao ver terminar o sonho de ir à final da Despensa Sul-Americana.![]()
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O confronto finalizado na noite dessa terça-feira (20), com vitória do Boca por 3 a 1 em um Maracanã lotado, foi a 19ª classificação dos hermanos em 27 duelos eliminatórios – finais inclusas – contra rivais do Brasil. O aproveitamento é impressionante: 70,4%.
Nos últimos anos, os times brasileiros até conseguiram diminuir essa diferença para o Boca. De 2021 para cá, Santos, Atlético-MG, Corinthians, Cruzeiro e Fluminense – leste em uma final de Libertadores – levaram a melhor em mata-matas contra os argentinos. Eles, inclusive, não ganhavam um jogo em território brasílico desde 2010, quando bateram o Internacional por 1 a 0, no Extremidade-Rio, em Porto Prazenteiro.
Nesta Sul-Americana, porém, o Cruzmaltino já é a segunda vítima brasileira do Boca. Nas quartas de final, eles superaram o São Paulo. Depois vencerem na Bombonera, em Buenos Aires, por 1 a 0, os argentinos foram à capital paulista e seguraram o 1 a 1 no Morumbis para testificar a classificação.
O contendor na decisão pode ser mais um brasílico. Nesta quarta-feira (21), às 19h (horário de Brasília), o Atlético-MG enfrenta o Montevideo City Torque no Centenário, principal estádio da capital uruguaia. Na semana passada, o Galo venceu por 3 a 0 na Estádio MRV, em Belo Horizonte, conquistando uma importante vantagem. Os mineiros podem até perder por dois gols de diferença que, ainda assim, vão à final.
O cenário no qual o Vasco foi eliminado torna a queda ainda mais dolorida. A equipe tinha vencido o jogo de ida, na Bombonera, por 1 a 0, uma semana antes, tornando-se exclusivamente o oitavo time brasílico a superar o rival na mansão deles em partidas oficiais.
O problema é que algumas das vitórias mais marcantes do Boca em mata-matas ocorreram justamente no Brasil. Em 2003, pelas oitavas de final da Libertadores, recuperou-se da inesperada guia por 1 a 0 para o Paysandu na Argentina com um 4 a 2 no Mangueirão, em Belém. No mesmo ano, fez a sarau no Morumbi ao vencer o Santos por 3 a 1 na grande final.
Quatro anos depois, não tomou conhecimento do Grêmio, fazendo 2 a 0 no Olímpico, em Porto Prazenteiro para testificar outra vez o título do principal torneio do continente. A noite de terça é mais uma daquelas para manter viva a labareda desse Boca que, independentemente da temporada, “aterroriza” o futebol brasílico.
Drama no Maracanã
A realização da partida no Maracanã foi níveo de longa disputa judicial entre Vasco e o consórcio formado por Flamengo e Fluminense, responsável pela gestão do estádio. Foram três semanas com idas e vindas e prenúncio da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) de transferir o jogo para o Paraguai.
O torcedor que se empolgou com a vitória nos bastidores, porém, levou um balde de chuva fria logo aos quatro minutos do primeiro tempo. O lateral Lautaro Blanco cobrou escanteio pela esquerda e o zagueiro Lautaro Di Lollo, de cabeça, abriu o marcador para o Boca. A vantagem obtida pelo Vasco na Argentina já não existia mais.
Aos 33, ficou pior. O zagueiro Alan Saldívia afastou mal a globo no círculo medial e Sebastian Villa, de primeira, lançou o também atacante Miguel Merentiel às costas da marcação cruzmaltina. O camisa 16 do Boca finalizou na saída do goleiro Léo Jardim e ampliou para os argentinos, que passaram avante na soma dos placares.
Na volta do pausa, o Boca acumulou erros em contra-ataques e as substituições do técnico Pedro Emanuel surtiram efeito no Vasco. As entradas dos atacantes Marino Hinestroza e Brenner nas vagas de David e Adson, e do lateral Puma Rodríguez no lugar de Paulo Henrique, deram mais qualidade ao setor ofensivo cruzmaltino.
A recompensa veio aos 20 minutos. A partir de um desarme do zagueiro Robert Renan, a globo chegou no lateral Cuiabano, que cruzou pela esquerda. Saindo da outra ponta, Puma apareceu na superfície e bateu poderoso, no quina do goleiro Álvaro Montero.
O momento era do Gigante da Colina. A maioria dos tapume 66 milénio presentes no Maracanã cantava que o Vasco era “o time da viradela”. Os torcedores, porém, não contavam que um pontapé de fora da superfície do volante Leandro Paredes, com força e efeito, no meio do gol, surpreenderia Léo Jardim. A falta do goleiro acabaria decretando a eliminação do time da mansão.
