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Retrospectiva: 2025, ano mágico de João Fonseca no tênis profissional

Fenômeno, sensação, prodígio. Não foram poucos os elogios recebidos pelo tenista carioca João Fonseca ao longo de 2025, quando conquistou os primeiros títulos no rodeio profissional e cravou vitórias importantes em Grand Slams e Masters 1000 – torneios que distribuem maior pontuação. O número 1 do tênis brasílico abriu a temporada na 145ª posição no ranking mundial, subiu 121 posições e fechou o ano entre os 24 melhores tenistas do planeta. Não à toa, arrebatou uma legião de fãs, entre eles grandes estrelas da modalidade uma vez que Jannik Sinner, Novak Djokovic e Roger Federer. Em votação popular no término do ano, João foi eleito o Desportista da Torcida na categoria masculina do Prêmio Brasil Olímpico 2025, láurea concedida pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).

João iniciou 2025 de forma avassaladora, em seguida sentenciar perfurar mão de ingressar no tênis universitário nos Estados Unidos para abraçar a curso profissional. Um ano antes, o carioca estreou nos torneios profissionais e terminou 2024 uma vez que vencedor Next Gen ATP Finals, competição que reúne os oito melhores tenistas de até 20 anos de idade. Positivo, João começou a temporada em janeiro de 2025 com 18 anos. Logo de rosto faturou o primeiro título de simples, o Challenger 125 de Camberra (Austrália) e saltou 32 posições no ranking.


João Fonseca vibra durante partida contra Andrey Rublev no Aberto da Austrália
14/01/2025 REUTERS/Jaimi Joy
João Fonseca vibra durante partida contra Andrey Rublev no Aberto da Austrália
14/01/2025 REUTERS/Jaimi Joy

Na estreia no Franco da Austrália, seu primeiro Grand Slam na curso, João eliminou o russo Andrey Rublev, o nono melhor do mundo na ocasião – Reuters/Jaimi Joy/Proibida reprodução

Na sequência, João disputou o primeiro Grand Slam da curso, o Franco da Austrália, em seguida prometer vaga na tempo principal vencendo o qualifying (qualificatório). Arrojado, o tenista brasílico surpreendeu o russo Andrey Rublev – o nono melhor do mundo na ocasião – no jogo de estreia em Melbourne, com vitória pro 3 sets a 0. A partir daí, João decolaria no ranking e passaria a narrar com o base da torcida nos demais embates. O triunfo sobre Rublev não passou desapercebido pelo multicampeão Djokovic, que na quadra ressaltou as qualidades do carioca em quadra.

“Ele é corajoso, bate muito muito e é um jogador completo”, disse o sérvio. “É um momento empolgante para o Brasil, mas também para todo o mundo do tênis, porque um jogador e uma pessoa tão jovem ser capaz de jogar tão muito em um grande palco é impressionante”, completou o sérvio, com 24 títulos Grand Slams. 

Mesmo se despedindo de Melbourne na rodada seguinte – João perdeu para o italiano Lorenzo Sonego – o brasílico subiu mais 13 posições, fechando o mês entre os 100 melhores do mundo. Uma façanha e tanto: o carioca se tornara o segundo tenista mais jovem, depois do espanhol Carlos Alcaraz, a figurar no seleto grupo. 

Em fevereiro, João faturou o primeiro título no rodeio profissional, o ATP 250 de Buenos Aires (Argentina), com vitória na final sobre o anfitrião Francisco Cerundolo. O carioca galgou mais 31 posições no ranking, passando a ocupar a 68ª colocação. Número 1 do mundo, Alcaraz  parabenizou o colega de quadras nas redes sociais.

Em seguida levantar a taça em Buenos Aires, o tenista brasílico passou a ser convidado a participar de grandes torneios, uma vez que os Masters 1000 de Indians Wells e de Miami, ambos nos Estados Unidos. João derrotou rivais de renome uma vez que o britânico Jacob Fearnley (na estreia de Indian Wells) e o gálico Ugo Humbert, em Miami, quando se classificou pela primeira vez na curso à terceira rodada de um torneio Masters 1000. Entre um e outro torneio, ele ainda competiu o Challenger de Phoenix, no Arizona, e saiu de lá vencedor. 

Em plena subida meteórica, João chegou ao Torneio de Roland Garros (França) em maio já uma vez que o 65º do mundo. Na estreia, ele não se intimidou, despachando o polonês Hubert Hurkacz (ex-top 10 e 28º no ranking na ocasião). No entanto, acabou se despedindo na terceira rodada.

O brasílico seguiu colecionando vitórias sobre adversários mais experientes. Em junho, no Torneio de Wimbledon (Inglaterra) – terceiro Grand Slam do ano – João bateu o anfitrião Jacob Fearnley e o norte-americano Jenson Brooksby e se tornou o tenista mais jovem a prometer presença na terceira rodada da disputa masculina de simples nos últimos 14 anos. João deu adeus à grama londrina em seguida revés para o chileno Nicolas Jarry, que avançou às quartas.

Depois, em agosto, João competiu nos Estados Unidos o Masters 1000 de Cincinatti e o US Open – quarto e último Grand Slam da temporada. Em ambos parou na segunda rodada e aproveitou para repor energias em um breve período de férias. 

Revigorado em seguida o folga, João foi um dos destaques do quinteto brasílico na Despensa Davis, realizada em setembro, na Grécia. Um mês em seguida completar 19 anos, e em 45º lugar no ranking, o carioca fez segmento do quinteto brasílico que garantiu vaga nos qualifiers da Despensa Davis 2026. O Brasil selou a classificação com vitória sobre a Grécia, por 3 jogos a 1. Em um dos confrontos, João derrotou o ex-top 3 mundial Stefanos Tsisipas.  

Mas o melhor ainda estava por vir. Em outubro, João Fonseca conquistou o primeiro troféu ATP 500 na curso. Ele foi vencedor no Torneio da Basileia, com vitória por 2 sets a 0 sobre o espanhol Alejandro Fokina – na ocasião número 18 no ranking.  A conquista já alçava João a fechar o ano entre os 30 melhores do mundo. Mas ele foi além: menos de 48 horas depois do título na Basileia, o brasílico estreou com tudo no Masters 1000 de Paris: derrotou de viradela o canadense Denis Shapovalov, que ocupava o 24º lugar na ocasião. Na rodada seguinte, o brasílico foi superado pelo russo Karen Khachanov e deu adeus ao torneio gálico.

Terminou em Paris a temporada histórica de João Fonseca, que por conta de uma lombalgia, desistiu de competir o ATP 250 de Atenas (Grécia), último torneio que competiria em 2025. Ao fechar o ano uma vez que número 24 do mundo, o carioca comemorou mais do que nunca a decisão tomada em 2024 de seguir curso uma vez que tenista profissional.

“Foi um ano maravilhoso. As coisas aconteceram rápido nas nossas vidas. Minha temporada começou no Next Gen de 2024. Cheguei à primeira chave principal de Grand Slam [Aberto da Australia], ganhei do Rublev e, a partir daí, foi só para cima. Muito grato por tudo”, disse o jovem carioca, durante coletiva em novembro no Rio de Janeiro. 


João Fonseca e Carlos Alcaraz - Miami Invitational, 2025
João Fonseca e Carlos Alcaraz - Miami Invitational, 2025

Ao final do ano, João enfrentou o número 1 do mundo Carlos Alcaraz em uma partida de exibição, em Miami. “Foi muito próprio jogar com o João”, afirmou o espanhol em seguida vitória sobre o brasílico por 2 sets a 1 – Reprodução Instagram/João Fonseca

A última grande atuação do ano de João Fonseca foi numa partida de exibição contra o espanhol Carlos Alcaraz, de 22 anos, atual número 1 do mundo, no Miami Invitational, nos Estados Unidos. O jogo começou de forma descontraída e, aos poucos, o brasílico equilibrou o duelo. No entanto, Alcaraz levou a melhor no finalzinho por 7/5. Na parcial seguinte, João sobrou em quadra – ganhou por 6/2 – e forçou o match tie-break (set de desempate).

O carioca seguiu presumido diante do espanhol e chegou a perfurar 5 a 0 de vantagem. Quando a vitória parecia encaminhada para o brasílico, Alcaraz emplacou uma reação extraordinário, fazendo jus ao posto de número 1 do mundo: ganhou tie-break por 10/8 e a partida por 2 sets a 1, em seguida 1h29min. Ao término do jogo amistoso, ambos eram só sorrisos. “Quase consegui, pessoal”, disse João na entrevista, dirigindo-se diretamente à torcida. Com um porvir promissor, não é difícil imaginar embates do brasílico contra o espanhol em torneios da ATP, que valem pontos no ranking. É só uma questão de tempo.



Fonte: Ebc

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