A Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada uma vez que uma medida de retaliação aos Estados Unidos, mas uma vez que um instrumento para emendar uma situação considerada injusta pelo governo brasiliano, disse nesta terça-feira (21) o vice-presidente Geraldo Alckmin.![]()
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“A teoria não é retaliação. Diz que olho por olho pode sobrevir de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos emendar isso”, afirmou Alckmin.
Ele e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Transacção e Serviços, Márcio Elias Rosa, concederam uma entrevista depois reunião com empresários dos setores afetados pelo novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Nos últimos dias, diversas associações de empresários manifestaram preocupação com eventuais retaliações impostas pelo Brasil.
O vice-presidente ressaltou que a Lei de Reciprocidade foi aprovada por unanimidade no Congresso no ano pretérito. Segundo Alckmin, a legislação oferece instrumentos para uma resposta institucional, caso seja necessário, respeitando os trâmites legais, uma vez que consultas e audiências públicas.
O Executivo finaliza um pacote de escora aos setores afetados e acelera a procura por novos mercados para as exportações nacionais. Os dois detalharam os principais eixos do pacote de ajuda aos exportadores.
Três frentes
O governo estruturou a resposta à sobretaxa americana em três eixos: escora financeiro às empresas, diversificação de mercados e diálogo permanente com os setores produtivos para dimensionar os impactos.
A medida dos Estados Unidos prevê tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de acréscimo de mais 12,5%, atingindo muro de 18% das exportações destinadas ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.
Suporte interno
Entre as medidas em estudo está a oferta de crédito por meio do programa Brasil Soberano para capital de giro e investimentos das empresas afetadas.
O governo também avalia flexibilizar temporariamente regras do regime de drawback, isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias para exportação.
A teoria é permitir que exportadores que perderem mercado nos Estados Unidos tenham mais prazo para satisfazer compromissos de exportação sem perder benefícios tributários.
Outro tema discutido é a possibilidade de ajustar exigências relacionadas à manutenção de empregos para setores que venham a receber escora emergencial.
“O vestimenta de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasiliano não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasiliano tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o dispêndio”, afirmou Márcio Elias Rosa.
Novos mercados
Paralelamente, a ApexBrasil, sucursal estatal voltada à promoção de exportações brasileiras, intensificará a procura por novos destinos para os produtos do país.
Entre os mercados prioritários estão Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático, além do progresso das negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Associação Europeia de Livre Transacção (EFTA), e Mercosul e Singapura.
O governo avalia que a diversificação dos destinos das exportações poderá reduzir a submissão do mercado estadunidense, mormente para segmentos industriais de maior valor associado.
Setores afetados
Entre os segmentos mais expostos às tarifas estão:
- Eletroeletrônicos;
- Máquinas e equipamentos;
- Autopeças;
- Calçados;
- Outros produtos industriais exportados aos Estados Unidos.
Segundo o governo, o mercado estadunidense é o principal sorte das exportações brasileiras de eletroeletrônicos. O país responde por muro de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.
Cronograma
O governo trabalha com um calendário considerado decisivo para definir as medidas de resposta.
Na próxima sexta-feira, é aguardada uma definição dos Estados Unidos sobre a eventual emprego cumulativa de mais 12,5% de tarifa sobre os produtos brasileiros decorrente de acusações de trabalho forçado.
Já em 29 de julho entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias que já estão em trânsito para o mercado americano.
Até lá, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir as reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados para solidificar um diagnóstico dos impactos e definir o pacote de escora.
Também está prevista uma missão solene à Índia para ampliar oportunidades comerciais, mormente para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.
