Por Arilson Chiorato, deputado estadual, líder da Oposição na Tertúlia Legislativa e presidente do PT-PR
A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da PEC 221/19 que põe término à graduação 6×1 marca um dos capítulos mais importantes da história recente da luta trabalhista no Brasil. Quinta-feira, dia 27 de maio de 2026, é uma data histórica, que resulta da luta pelo recta ao sota digno, recta de cuidar da família, recta de ter vida além do trabalho. Dois dias de sota não é luxo. É pundonor.
A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial, garantindo duas folgas semanais, não foi obtida ao eventualidade. Ao olhar o placar da votação, um pouco me encheu de orgulho: “todos os 65 deputados do PT estavam presentes e votaram em prol da PEC”. E mais: nos dois turnos. Isso deixa simples quem, de verdade, enxerga quem está na base da pirâmide social: o povo.
O placar da votação da PEC 221/19, que obteve no 1º vez, 472 votos em prol e 22 contra, e no 2º vez com 461 votos em prol e 19 contra, revela também quem está do outro lado. Da bancada do Paraná, composta por 30 deputados, 25 votaram em prol, os outros cinco não tiveram a coragem de expor não à perenidade da exploração, se ausentaram. Omissos! Sugiro ao sufragista que cheque os nomes e lembre-se deles na urna. O congresso não pode continuar inimigo do povo.
O texto “Quem te representa no Congresso Pátrio”, divulgado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar no início desse mês, faz um recorte interessante sobre a Radiografia do Novo Congresso 2023–2027. O material aponta que a maioria dos parlamentares pertence a três grupos: empresários (186), profissionais liberais (136) e servidores públicos, incluindo militares (71).
No Senado, o cenário não é dissemelhante: 39 senadores são empresários ou proprietários rurais, 26 são profissionais liberais e exclusivamente 5 servidores públicos. Já trabalhadores e ativistas sociais “praticamente desapareceram das últimas legislaturas”. Ou seja, é só com muita pressão popular para obter avanços. Precisamos urgentemente rever quem escolhemos para nos simbolizar. Hoje, a maioria dos parlamentares eleitos representa a escol econômica e, por isso, não é de se estranhar, uma vez que fez Nikolas Ferreira (PL-MG), de propor indenização ao patrão.
Essa teorema é tão absurda quanto a de parlamentares, da base escravocrata, de 1888, que demonstraram preocupação não com os libertos, mas com os antigos “senhores de escravos”, que tratavam pessoas uma vez que patrimônio econômico. A indecorosidade de Nikolas acabou arquivada, mas simboliza um pensamento dominante de uma escol acostumada a tutorar privilégios supra da pundonor humana.
E assim, uma vez que naquela era, alguns parlamentares disseminam o pânico. O Brasil vai quebrar. Não vai. Se o Brasil fosse confiar nesses discursos, uma vez que do Barão de Cotegipe, lá de 1888, que dizia que o término da escravidão provocaria uma “crise medonha”, estaríamos até hoje convivendo com o contra-senso. Ora, a crise era moral, assim uma vez que a de hoje por usar o pânico para manutenção de privilégios. Aliás, toda vez que se propõe um favor ao trabalhador, o exposição é o mesmo: o Brasil vai quebrar.
Porém, sabemos muito quem quebra o Brasil: os privilégios e os privilegiados. Por isso, essa conquista deve ser chancelada no Senado, porque ela não começou ontem, vem lá de trás, da geração da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), passa pela luta pela jornada de oito horas, férias remuneradas, licença-maternidade, décimo terceiro salário e valorização do salário mínimo.
A aprovação do término da graduação 6×1 representa, portanto, mais do que uma mudança na legislação trabalhista. Trata-se de uma vitória civilizatória. A história mostra que nenhum recta foi facultado espontaneamente pelas elites. Todos foram conquistados pela luta popular. E mais uma vez, a classe trabalhadora brasileira mostrou sua força.
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